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Pelas mãos e palavras de Almir José da Silva fui me aproximando do gênero ficção cientifica, sendo que VIDA não é exatamente o que eu chamaria assim.
Seis tripulantes estão em missão de coletar amostra de vida em Marte. Movidos por seus anseios e por que não dizer dores particulares, convivem entre si e consigo mesmo rumo ao pioneirismo científico e contra as marcas emocionais de uma guerra, ou, ainda, a plenitude que traz a falta de gravidade no espaço para um deficiente de locomoção.
Lado a lado com a pretendida histórica carreira estão alterações orgânicas e risco de morte.
Atos altamente humanitários, renúncia aos melhores momentos familiares, decisões radicais em segundos se revelam na tela, em uma trilha que é uma luva pra mão do filme.
Estamos em corrida para descobrir a existência de vida em outros planetas. É válido somente se soubermos o que estamos e estaremos fazendo com esta, terrena, que nos encontramos os inseridos. O poeta itabirano disse :
“ [..] O homem
Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
A perene, insuspeitada alegria
De con-viver”

RECORRÊNCIA

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Maturidade é abrir novo ciclo

Após bem elaborar o anterior

Autoproteção contra vícios

Que sabotariam o novo amor

 

A lacuna um dia vem e cobra

E assim vai, com pressa e insatisfeita

Circula na veia como a droga

Que do estrago futuro não suspeita.

 

Depois se espanta ao perder

Esforço

Prostação –  em vão

Insucesso em reatar o elo

Viradas de noite para reerguer

O que foi ruído em poucos gestos

 

Lado obscuro

detestável do eu

Sob uma rara flor nesses tempos

A doçura masculina feneceu

Com a dispersabilidade do vento

 

Agora o frio, antes jardim sob o sol

Junta-se ao eco, onde se ouvia a música

Mais uma vez acabou mal e só

Jurando desta vez ser a última.STORM IN SANTIAGO DE COMPOSTELA

É PRESSA E É MINHA

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É peito inquieto:

minha pressa

do laço fazer nó pequenino

vontade de pegar carro do pai

em idade de menino.

 

É dedo

em série estalando:

minha  pressa

de fazer presente, o virtual

concretizar o abstrato

fazer do vazio, extrato.

Do silêncio envolto em olhar profundo

nascer o beijo

tão quente quanto úmido.

 

É cabeça coçando:

minha pressa

eterna rua de mão única

confidente, apenas a lua.

Recusa em deixar para depois

a rede, o incenso e nós dois.

 

Minha pressa

exigente

do vinho sem copo

sorvido da boca

e outras incursões marotas.

Imposição de seu hálito perto

braços, ventre, pernas

madrugada para você, abertos.

 

Minha pressa

autoridade de estar

ser

receber

oferecer

Impaciência

de musicar, dançar e cantar

ver você dormir e acordar

e o desejo vir a acontecer

 

É e sempre foi minha

Essa maldita pressa de viver.

 

Autoria: Luciana Ferreirae-pressa-e-e-minha

O QUE FOR QUE SEPARE, REPARE

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Travas e lanças se levantam

Durante o sentir e se aproximar

Água em sistema de contenção

Para que não suba, não o tanto

Que possa lhe afogar o encanto.

Fantasmas, perseguidores

Ecos, flash de dores:

esquecimento

de que para reverter algo, primeiramente

vem o intento.

Futuro à mercê do Medo

o sombrio senhor tirano

que odeia amante sonhando.

 

São duas as margens dos rios

A outra é coração selvagem

Romantismo, sensualidade

à tona, límpidos, após delicadezas:

Poesia

Ácida franqueza

Pressa, sede ao pote

Espera que consigo mesma não pode

Vida como se estivesse o mundo

Próximo ao fim nesse minuto.

 

Esconderijos, desejos que recuam

Frente a quem suplica, suga.

Aparência de contrariedades

Passos de dançarinos incautos

que observados com acuidade

no luxuoso salão do castelo

evitam a escuridão do belo

na qual, o apressado

aprende a mergulhar na quietude

e o protelador cria asas

desmistificando a altitude.

(Luciana Ferreira)love-11

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

UM MUNDO DE ENCANTO

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 UM MUNDO DE ENCANTO

 

Mundo de notas diferenciais

Reunindo o que sou em sons

que nem imagino concebidos

e deliciam meus ouvidos.

 

Mundo gracioso

Dos rápidos segundos

que acordas confuso.

Mundo comercial de margarina

Tu te barbeias

Tomas café

E se prepara para a rotina.

 

Mundo da tua fala

conselho, contestação

pedido de Divina intercessão.

De gol preso na garganta

Ou jeito que distraído, canta.

 

Mundo do teu coração

Apaixonado, sem razão.

Das tentativas para que sorria

A pessoa que gostas.

Mundo que mostra

A saudade, o lado poético

E o que se abre, paralelo

No banho, água escorrendo

Bastante em meus pensamentos.

 

Mundo dos teus gemidos

Ao tomar uma mulher para ti

Mordidas, puxões de cabelo

Beijos, sucções e apelos

Mundo da fração rica

De um minuto

Onde cabe muito.

 

Mundo teu, sonho meu

Fazer parte do dia

Da noite, da tarde –

contagem

Mundo de encanto

Aceito-o em meu vazio, como manto.

 

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